segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A obsessão do espelho

A obsessão do espelho nas mais variadas implicações com o mito de Narciso constantemente se reelabora. Na busca incessante de si  mesmo, da sua verdade, o homem descobre na imagem refletida a prova física da existência. Só ela lhe oferece o sujeito como objeto, guardada a sua identidade e semelhança. Sucede às vezes apoderar-se o espelho da imagem-objeto para transformá-la em sujeito aos olhos do original. A partir de então, o sujeito só se encontra na contemplação da figura aprisionada pelo cristal. É ela que o assegura da sua existência como personagem. É ela que lhe sugere gestos e posturas. A fábula da rainha vaidosa endossa não só o comportamento da coquette, que se mira a cada instante no espelhinho da bolsa, como a conduta do homem cuja maior preocupação é a figura que faz  aos olhos (espelho) dos outros. Transfere-se, portanto, ao espelho a essencialidade humana.



QUEIROZ, Maria José de. Cesar Vallejo: ser e existência. Coimbra: Atlântida, 1971. p. 87.

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